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Mostrando postagens de 2007

Para que formatura?

Fui convidado para a formatura dos meus alunos como Professor Homenageado e fui convidado também como visitante para a formatura do meu sobrinho. Meus alunos estão se formando em Contabilidade pela UNIP e o meu sobrinho, no Pré-A da Escola Pedro e Rafael. Há gente que não dá valor às formaturas, aliás, a grande maioria. O que se ouve é: “Ai que chato! A gente vai lá para ouvir um monte de professores falando meia-hora e depois demora uma eternidade para ver o aluno receber um canudo que não tem nada dentro”. A questão não é ouvir os professores por meia-hora, tampouco o conteúdo do canudo, mas prestigiar o formando reconhecendo os seus esforços pela conquista de uma etapa importante na vida dele. Para o visitante tudo aquilo pode ser chato mesmo, mas não para o formando. A pessoa que está lá em cima do palco se apresentando, quer dividir o seu momento de alegria e de vitória com você que está lá embaixo o assistindo, e se não fosse isso, pode ter certeza que você não seria ...

Reconhecimento

Estávamos no apartamento dos meus pais em São Paulo. Uma prancheta enorme normalmente usada por engenheiros armada no centro da sala de visitas. Meu amigo e eu estávamos debruçados sobre ela estudando Desenho Geométrico. Eu estava de férias, mas ele precisava de um mísero 9,0 para não ser reprovado na 5ª série do primário. ​ Esta cena se repetiu ao longo de toda a semana e no domingo antes da prova oficial que se daria na 2ª feira, o convidei para uma revisão e uma provinha que havia preparado. Foi o meu primeiro contato como “professor”. ​ Acredito que minha fama de professor exigente se deve a uma característica congênita. Prova no domingo ninguém merece! Bom, quase ninguém merece. Ele não só merecia como precisava! Dia da prova oficial. Vitória! Dez na prova! Realização dele e acreditem: minha realização. Realização de professor é ver seus alunos atingirem seus objetivos, lutando pelos seus ideais, saindo vitoriosos em suas empreitadas. ​ Dias depois recebi um presente dos pais d...

Resseguro no Brasil, o que muda?

Artigo redigido para uso da jornalista Janaina Gimael em seu artigo "Prevenção gera Lucros" da Revista Foco, de 23 de novembro de 2007, páginas 42 a 45  Por Marco Simonovitch e Eli Borochovicius Diretores da Ahead Insurance ​ Antes de falarmos sobre o que muda, faz-se necessário entender o que significa resseguro. Resseguro nada mais é que a transferência da parte de um grande risco assumido por uma determinada seguradora para preservar o seu equilíbrio financeiro e garantir o pagamento de um eventual sinistro. ​ Em uma linguagem mais simples, é como se uma seguradora fosse segurar um bem muito caro, como um satélite por exemplo, e ela não pudesse assumir todo o risco sozinha, buscando então um resseguro, ou seja, alguém que assumisse o pagamento do risco caso acontecesse algum acidente coberto pela apólice de seguros por ela emitida. ​ A seguradora é quem emite a apólice dando cobertura para o bem e é ela quem monta as Condições Gerais do risco, informando o que está cober...

Você ouve música ou escuta?

Certo dia, voltando de São Paulo pela Rodovia dos Bandeirantes por volta das duas horas da manhã, com o sono batendo de um lado e a responsabilidade do outro, optei por escutar um som mais pesado que o “pop” que tocava na rádio para permanecer acordado até chegar ao meu destino. ​ O primeiro CD que encontrei no carro foi dos Titãs e quando ouvi algo como “os pulsos e os punhos cortados” achei que deveria prestar mais atenção na letra alegre da música “Flores”. ​ A letra de 1989, por Tony Bellotto, Sérgio Britto, Charles Gavin e Paulo Miklos, nos remete à imagem mórbida de um defunto em um caixão. Trata-se de alguém com os pulsos e os punhos cortados e o resto do corpo inteiro, olhando até ficar cansado de ver os olhos no vidro do caixão, com flores cobrindo a parte superior da caixa de madeira e por todos os lados, inclusive debaixo da cabeça. Bom, definitivamente isso não tinha nada de alegre. ​ Foi assim que descobri que as letras das músicas têm muito a nos ensinar e já que eu es...

Estão investindo na sua educação, e agora?

Normalmente escrevo sobre a educação voltada para os jovens universitários, mas como dei início a um Projeto de Pesquisa para o concurso de mestrado em educação, achei que deveria comentar sobre as minhas perspectivas para o ensino público básico e fundamental na região de Campinas. ​ Não é novidade para ninguém que o ensino público vem piorando gradativamente e quem sofre com isso é a própria sociedade. Para resolver esse problema é importante sabermos o que está acontecendo, questionarmos sobre as causas do problema e então sugerir uma solução viável e de simples implantação. ​ Uma das possíveis respostas para o ensino público básico e fundamental de má qualidade é a falta de verbas para o atendimento à crescente demanda, ou seja, incapacidade de absorção nas escolas públicas já existentes em razão do crescimento da população em fase de aprendizagem. ​ Supondo que essa premissa seja verdadeira, o que pode ser feito? ​ Considerando que todo investimento necessita de um retorno para n...

Estágio - os provérbios ensinam

Gosto muito de provérbios. Em geral os provérbios nos remetem a um comportamento ético ou a uma reflexão de nossas atitudes. ​ Alguns exemplos dos provérbios mais comuns: ​ “Melhor um pássaro na mão que dois voando”, ou seja, contente-se com aquilo que conseguiu, afinal, “quem tudo quer, nada tem”. ​ “Não coloque a carroça na frente dos burros”, ou seja, vá com calma, uma coisa de cada vez, afinal, “quem tem pressa come cru”. ​ “Em casa de ferreiro, o espeto é de pau”, ou seja, as pessoas são capazes de atender os anseios externos, mas incapazes de fazê-los no âmbito familiar, afinal, “santo de casa não faz milagre”. ​ São inúmeros os provérbios, mas um em especial, que ouvi pela primeira vez durante uma reunião neste mês, pode ser usado para entender bem a relação do aluno com o professor: “cavalo precisa experimentar o estribo”. ​ Em um primeiro momento, parece ofensivo, mas fazendo uma análise criteriosa, é possível entender o que ele pode significar. ​ O estribo nada mais é que uma...

Ctrl+C e Ctrl+V para que?

Está cada vez mais comum encontrar alunos que entregam trabalhos universitários copiados de obras disponíveis para consulta na internet. ​ O duro é que também está cada vez mais comum encontrar professores universitários que não lêem os trabalhos por ele solicitados e lançam boas notas para esses trabalhos que podem ser considerados plágio. ​ Plagiar é a mesma coisa que apresentar um trabalho de outra pessoa, como se fosse seu. ​ Mas o que leva um aluno a plagiar um trabalho? ​ Em geral a resposta é a falta de tempo, ou seja, o aluno trabalha o dia todo, chega em casa à noite após as aulas e aproveita o final-de-semana para colocar o sono em dia ou se divertir, não restando tempo para a pesquisa e desenvolvimento do trabalho universitário. Resultado: busca na internet as palavras-chave, copia o texto, cola, insere o seu nome e entrega. ​ Outra visão desta falta de tempo é a preguiça. O aluno tem preguiça de desenvolver o trabalho e isso normalmente acontece quando sabe que o professor ...

Enfim, férias!

Está encerrado o semestre, ufa! Chegaram as tão sonhadas férias. ​ Férias universitárias, não do estágio, do trabalho, das obrigações e responsabilidades. ​ O dia permanece o mesmo. Ouvir os pássaros cantar ou o despertador tocar, levantar, escovar os dentes, tomar banho, homens - fazer a barba, mulheres - passar o creme, pentear, vestir, tomar café-da-manhã (esse é para quem tem tempo mesmo) e trabalhar. ​ Os alunos do primeiro semestre começaram a se acostumar com o ritmo das aulas, conheceram gente nova, estão se entrosando agora, é momento de curtir as férias e aproveitar as noites para ... ​ Os alunos dos semestres intermediários estão fartos de tanta informação, precisam diminuir o stress, encontrar-se mais freqüentemente e aproveitar as noites para ... ​ Os do último semestre estão esgotados pelos estudos dos anos passados na faculdade, afoitos com a proximidade do fim do curso, preocupados com a formatura, mas chegaram as férias e precisam aproveitar as noites para ... ​ Em ger...

Governança Corpo o que?

Governança Corporativa! Resumidamente Governança Corporativa são normas e regulamentos criados para que as empresas mostrem aos seus investidores e ao mercado como um todo a sua situação econômico-financeira de forma transparente. ​ Depois das mais famosas fraudes como as da Merck, com manipulação de receitas e custos, Wordcom, com ativação indevida de gastos, Enron, com desvios de dívidas para associadas e superestimação de lucros, Tyco, Barings Bank, Bristol-Meyers Squibb, dentre outras, foram criadas práticas de Governança Corporativa, atribuindo aos principais executivos da empresa a responsabilidade pela correta avaliação e monitoramento dos controles internos dos processos refletidos nos relatórios financeiros. Para abrir capital na BOVESPA – Bolsa de Valores de São Paulo, a única bolsa de valores do Brasil, já que no ano 2000 foi realizada a integração das bolsas de valores de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas - Espírito Santo - Brasília, Extremo Sul, Santos, Bahia - Sergipe ...

Ética: uma questão de educação, respeito e bons modos

Ultimamente temos ouvido falar demais em ética, mas o que vem a ser ética? Ética vem do grego “ethos”, significa costumes e tem por objetivo propiciar uma convivência intergrupo pacífica. É na verdade a exteriorização da conduta humana dentro da sociedade, seguindo regras formais coercitivas e informais facultativas. Um exemplo de regra coercitiva é a Lei, as pessoas devem cumprir as Leis para viver harmoniosamente em sociedade. Pedir licença, já é um exemplo típico de regra informal, onde as pessoas cumprem em sinal de respeito. Não existe nenhuma lei que o obrigue a pedir licença, nós o fazemos por educação. ​ No mês passado, acompanhei uma negociação com uma construtora em Campinas e é incrível como o mercado imobiliário, apesar de contar com muitas empresas e profissionais sérios, é merecedor da má fama que possui. Uma imobiliária, que tem por objetivo aproximar vendedor e comprador prestando os esclarecimentos legais com base em todo o processo da negociação, apresentou...

Prova: Bicho de 8 cabeças

Já colocaram mais uma cabeça no bicho-de-sete-cabeças, tamanho é o desespero dos alunos ao ouvirem a palavra P–R–O–V–A. ​ É importante aos alunos compreender que a prova é, nada mais, nada menos, que o momento particular e pessoal que possuem para refletir e relembrar a matéria lecionada, demonstrando o que conseguiram assimilar. Muitas faculdades no Brasil exigem média 7,0, o que significa exigirem que o aluno aprenda 70% de todo o conteúdo que foi passado. Outras faculdades exigem média 5,0, correspondendo a apenas 50% do aprendizado, aprovando o aluno que desperdiçou metade dos ensinamentos. ​ Considerando que a maioria dos professores aplica trabalhos individuais e em grupo para compor a nota bimestral, é factível afirmarmos que estão sendo jogados no mercado alguns profissionais com aproveitamento em provas de apenas 40%. Convenhamos ser uma média muito baixa e que talvez seja uma das explicações à dificuldade que as empresas encontram em contratar profissionais qualificado...

Pontualidade Brasileira

Não sei dizer ao certo se por conta do sangue europeu, da educação militar enquanto jovem na escola de formação de oficiais ou de uma característica congênita, mas a verdade é que a pontualidade é tida para mim como um sinônimo de responsabilidade. ​ Gosto de tratar sobre a vivência no mundo acadêmico, mas obviamente pode-se fazer uma analogia ao mundo corporativo, afinal de contas, responsabilidade é responsabilidade em qualquer lugar. A aula tem seu início às 19h15 pontualmente, mas no primeiro dia de aula os alunos atrasam em função da brincadeira do trote universitário, que felizmente nos últimos anos tem sido mais ameno e alguns até solidários. ​ A partir do segundo dia de aula, não existem mais desculpas para o atraso já que o período de brincar passou. É obrigação do aluno estar em sala antes do horário previsto para o início da aula. A resposta para a pergunta que você deve estar se fazendo agora é sim, uma boa parte dos alunos fica do lado de fora aguardando o início da...

Quem é você?

- Um capuccino, por favor. ​ Foi o meu pedido em uma cafeteria da ala nova do Shopping Iguatemi de Campinas, quando eu, sozinho, aguardava a chegada de minha esposa para o jantar em um restaurante do shopping. Pessoas andavam de um lado para o outro e então observei a quantidade de gente que passava por mim e me ignorava completamente. Por que vivemos tão próximos e não nos conhecemos? ​ Aproveitei esse momento de reflexão para complicar ainda mais a linha de raciocínio: por que as pessoas se ignoram? Essas pessoas vêm e vão e nenhuma delas se conhece? A verdade é que somos individualistas e fazemos pouco caso das pessoas em geral. Na universidade onde leciono, são poucas as pessoas que conversam com os ascensoristas, conhecem os bombeiros, dirigem-se aos serventes, apertam a mão do bedel ou mesmo cumprimentam tantas pessoas que as servem sempre com um sorriso estampado no rosto. ​ Essas pessoas fazem parte do nosso dia-a-dia e sequer tomamos o cuidado de perceber a existências ...

Como é o seu castelo?

Ainda pequeno ouvi de minha mãe: ​ - As pessoas olham o seu castelo, mas não olham as pedras que você carrega. ​ Eu imaginava a época medieval, um homem forte, com barba, sem camisa, um pano marrom enrolado entre as pernas como se fosse uma sunga, descalço, sujo e suado, carregando aquelas pedras enormes sobre as costas morro acima. No topo da montanha, entre as nuvens, um castelo bem alto com uma porta em arco dando para um salão com escadarias dos dois lados, janelas grandes, um ambiente silencioso e luxuoso. Era assim que eu me imaginava construindo o castelo, com um monte de amigos deslumbrados com o meu feito, mesmo que não tivessem se preocupado em perceber o sacrifício que foi carregar tantas pedras. Obviamente minha mãe quis dizer que as pessoas enxergam somente as nossas grandes vitórias, sem se preocupar em analisar os esforços que foram necessários para atingi-las ou mesmo as derrotas que já enfrentamos. ​ As pessoas adorariam ser donas de uma grande empresa, mas não se ...