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Mostrando postagens de 2012

Visão equivocada

Ao falarmos de Bolsa de Valores, a primeira imagem que vem à cabeça são letras e números digitais em um painel eletrônico, caminhando na horizontal, da direita para a esquerda, alguns em verde e outros em vermelho, que aos olhos dos amadores, não dizem muita coisa. ​ Há os que ainda trazem a figura estampada de homens amontoados com enormes telefones na orelha e as mangas de seus jalecos movimentando no ar, em um ritmo frenético ao som de vozes furiosas com ordens de compra ou venda. Trata-se do pregão viva-voz, que já não existe mais. Os gráficos que sobem e descem buscando explicar ganhos e perdas bem como números soltos, que correspondem a diferentes índices, indicadores e pontos garantem a ideia de complexidade e confusão. É a fotografia perfeita de um ambiente caótico, conturbado e definitivamente próprio para administradores e economistas, mas este retrato traz personagens e um fundo de tela equivocado. ​ É possível que esta visão míope que temos, acompanhada de outro...

Herança cultural

Nós brasileiros ainda temos incrustrada a cultura da aversão ao risco. Somos uma grande maioria de investidores em poupança e fundos de renda fixa. Outra opção ainda muito bem vista pelo brasileiro é o investimento em imóveis. Penso que são dois fatores principais que nos levam a agir desta forma. O primeiro é fruto da herança das gerações anteriores, que viveram no período da 2ª Guerra Mundial e tinham a necessidade de alta liquidez e baixo risco.  O segundo é uma questão de dificuldade em compreender o mercado acionário e futuro. ​ Quanto ao medo herdado em relação aos investimentos de maior risco, é compreensível que haja uma resistência, afinal de contas, fomos bombardeados com lições do tipo: arrume um emprego estável, tenha a sua casa própria e faça uma poupança. Além disso, é natural do ser humano evitar o desconforto causado pelas mudanças e reagir tomando como verdadeiras as informações prévias que dispõe. Um estudo com universitários, desenvolvido nos Estados Unid...

Prioridade

Sentado na sala dos professores, antes do horário de início das aulas, ouvi uma conversa bem interessante entre dois docentes. Um deles, de pé, com aparência esgotada, reclamava das dificuldades que estava enfrentando e o outro, sentado, ouvia e sorria. A base do protesto era a falta de tempo enfrentada neste mundo de imediatismo, pressa, perfeição, busca pela qualidade e custo baixo. O professor precisava trabalhar para pagar as suas contas pessoais, mas também precisava estudar e concluir o seu doutorado. ​ - Ou trabalho e pago minhas contas, ou estudo. Os dois, não dá! - concluiu. Mais experiente, o professor que estava sentado teve a sua oportunidade de falar. Foram bons minutos de espera silenciosa e tranquila pela palavra. ​ - Qual a sua prioridade? - questionou. O silêncio se fez presente. ​ As pessoas mais brilhantes não são aquelas que têm as melhores repostas, mas aquelas que fazem as melhores perguntas. Saber questionar e ouvir são características próprias ...

Investir na Bolsa

A cada novo semestre recebo, em média, 180 novos alunos e percebo que, embora seja uma geração tecnológica, independente, autônoma e empreendedora, uma grande maioria sonha em entender o funcionamento da Bolsa de Valores, demonstra interesse em investir, mas é temerosa. ​ Quando ouço a pergunta “Como faço para investir na Bolsa?” costumo brincar respondendo que basta procurar pela sigla BVMF3. Aguardo alguns segundos pela reação de “não entendi nada” e passo então a explicar. Em 2007, mais precisamente em 28 de agosto, a Bolsa de Valores deixou de ser uma sociedade sem fins lucrativos e passou a ser uma sociedade por ações, que passaram a ser negociadas na própria Bolsa em outubro do mesmo ano. ​ A reação então deixa de ser “não entendi nada” para “agora piorou, confundiu minha cabeça”. Como assim a Bolsa tem ações na Bolsa? Antigamente a Bolsa de Valores era um espaço físico onde os corretores se juntavam para fazer ofertas de compra e venda de ações. De forma simplific...

Carro Novo

Quem é que não gosta daquele cheirinho de carro novo, design moderno, lataria brilhando, com garantia de fábrica em caso de defeito? Todo mundo gosta! Mas essa população é consideravelmente reduzida quando a contrapartida do carro novo é mexer no bolso. Minha primeira justificava para a desistência de muita gente na hora de trocar o carro por um 0km é que, apesar do veículo ser tratado como um ativo, ele não pode ser considerado um bom investimento (dadas algumas restrições). Isso acontece em função de sua rápida depreciação e perda de valor de mercado. De forma mais simples e generalizada, comprar carro é perder dinheiro! É comum ouvirmos que ao retirar o carro da concessionária a perda é de 20%, mas os números mostram uma média de perdas um pouco menor, que ainda assim é expressiva. Achar que está “hedgeado” (protegido) da perda por uma apólice de seguros ao longo de um ano pode ser uma decepção para aqueles que não se atentarem às cláusulas contratuais. A maioria dos contratos apres...

Bolsa não é loteria

Uma das perguntas mais frequentes que ouço é “como faço para ganhar dinheiro na Bolsa?”. As pessoas buscam fórmulas milagrosas ou números mágicos para sair de dez mil reais e chegar a um milhão de reais em uma única tacada, como se a Bolsa de Valores fosse uma bolsa de apostas ou uma loteria, cujo resultado sempre sopra a favor. Quando explico que é importante conhecer o mercado, fazer cursos, acompanhar os preços, montar estratégias e definir objetivos, normalmente, as pessoas ficam apáticas, desestimuladas e demonstram certa revolta por não terem a varinha de condão com poderes sobrenaturais dos contos de fada, ou ainda a lâmpada dourada  que, ao ser esfregada, sai o gênio concedendo sempre três desejos. Fazer o dinheiro render exige paciência, perseverança e a cultura de receber juros ao invés de pagar juros, o que considero o grande paradigma financeiro. E um aspecto que deve ser considerado, uma vez que fazer dinheiro implica em criar o hábito de poupar e conhecer o mercado, é...

Nunca é tarde para aprender

Um nicho de mercado ainda pouco explorado, mas que tem recebido a atenção de empresas financeiras é o da terceira idade. A geração tradicionalista (nascidos entre 1925 e 1945) foi profundamente afetada pela Segunda Guerra Mundial (1939-1945), mas beneficiada pelo avanço da tecnologia e pelas descobertas médicas, permitindo desfrutar de maior longevidade, com qualidade. ​ É uma geração cujas características marcantes são o conservadorismo social, o respeito à autoridade e o patriotismo. Uma geração desconfiada em relação ao sistema financeiro, pela própria educação hereditária, acostumada a ver seus pais guardando o dinheiro debaixo do colchão ou transformando em ouro. Este público da terceira idade se dedicou ao trabalho, à família, guardou dinheiro e hoje busca aplicações financeiras seguras para render o capital investido. A ideia por trás destes investimentos está em desfrutar de viagens, fazer festas, comprar roupas, bugigangas e, acima de tudo, trazer alegria para os filhos e...